sexta-feira, 20 de junho de 2014

RESUMO DO CAPÍTULO “ORALIDADE E LETRAMENTO”

No primeiro capítulo do texto “Da fala para a escrita”, intitulado “Oralidade e letramento”, o autor destaca as diferenças entre esses dois sistemas de comunicação. Se, até a década de 80, oralidade e escrita eram tidas como antagonistas, hoje são vistas como complementares técnicas de características próprias e usos peculiares. Algumas perspectivas devem ser levadas em consideração na análise das relações entre elas: as dicotomias, as variações linguísticas, culturais, etc. Enquanto a oralidade é responsável por essas mudanças no campo social, a escrita as variações ao longo da história. O autor ressalta que, mesmo com a enorme importância da escrita no mundo atual, ela não é inerente ao ser humano, como a fala; é uma construção social, uma estratégia criada para formalizar contratos, por exemplo. Enquanto a fala é aprendida desde pequenas através do convívio social, a escrita é aprendida mais tarde, geralmente no meio escolar. Deve-se distinguir, no entanto, letramento, alfabetização e escolarização, a partir da forma com que o conteúdo simbólico é apreendido pelo sujeito.
Uma vez concebidas dentro de um quadro de inter-relações, sobreposições, gradações e mesclas, as relações entre fala e escrita recebem um tratamento mais adequado, permitindo aos usuários da língua maior conforto em suas atividades discursivas.
 Nesta perspectiva, torna-se impossível investigar oralidade e letramento sem referir-se ao papel dessas duas práticas na civilização contemporânea. Da mesma forma que já não se podem observar as semelhanças entre fala e escrita sem considerar a distribuição de seus usos no cotidiano. Sendo assim, centrar o tratamento das relações entre as mesmas, exclusivamente no código torna se uma tarefa difícil, se não impossível. Como afirma Marcuschi mais do que uma simples mudanças de perspectiva, isto representa a construção de um novo objeto de análise e uma nova concepção de língua e de texto. A abordagem revela uma fundamentação em disciplinas conhecidas dos estudantes de Letras, como Linguística e Análise do Discurso com uma releitura direcionada ao estabelecimento de um nexo de igualdade e relevância entre a oralidade e a escrita.
Uma preocupação constante do autor em sua obra é descaracterizar a relação dicotômica, fundamentada no modelo estruturalista, voltando-se mais para uma abordagem funcionalista. Com esta nova visão ele situa a oralidade e a escrita num lugar de co-importância em que uma ajuda a outra no processo de comunicação. Especialmente nas atividades de retextualização, em que o texto concebido numa concepção discursiva oral é adaptado, através de regras de editoração, para a concepção discursiva escrita que, do ponto de vista ideológico, não pode ser considerado um elemento em oposição.
Em meio a esta discussão é que Marcuschi insere o debate sobre oralidade e letramento, dois conceitos muito confundidos no estudo das formas verbal e escrita em que o código lingüístico pode ser apresentado. Segundo demonstra o autor, esta confusão aumenta quando se discute aprendizado e o uso da língua numa comunidade. Ele faz inclusive a diferença entre o letramento apreendido formalmente na escola e outro, denominado de “letramento social”, que corresponde ao aprendizado que resulta do convívio do indivíduo. Para deixar isto bem claro ele define:
Letramento é um processo de aprendizagem social e histórica da leitura e da escrita em contextos formais e para usos utilitários, por isto é um conjunto de práticas, ou seja, letramento, como bem disse Street (1995). Distribui-se em graus de domínio que vão de um patamar mínimo a um máximo. A alfabetização pode dar-se como se fato se deu historicamente, à margem da instituição escolar, mas é sempre um aprendizado mediante ensino, e compreende o domínio ativo e sistemático das habilidades de ler e escrever.
A escolarização, por sua vez, é uma prática formal e institucional de ensino que visa a uma formação integral do indivíduo, sendo que a alfabetização é apenas uma das atribuições/atividade da escola. A escola tem projetos educacionais amplos, enquanto que a alfabetização é uma habilidade restrita.

A língua falada e a língua escrita têm seu estudo pormenorizado por Marcuschi em função de duas dimensões de tratamento. Primeiro: Oralidade e Letramento; segundo: fala e escrita. Nesta última relação é que está concentrado o maior número de observações e formalidades dentro do processo de retextualização. Como por exemplo, a distinção entre os sinais marcadores e delimitadores das suas formas de expressão. “Os aspectos formais, estruturais e semiológicos são os guias orientadores deste estudo vistos como um conjunto de práticas sociais.” 

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