sexta-feira, 20 de junho de 2014

O Primo
(Danton Trevisan/Mayume)

Na primeira noite, ele conhecera que Santina não era moça. Bento havia casado por amor e ficou desesperado, matar a esposa e suicidar-se era deixar o outro sem castigo. Depois de muita insistência, ela revelou que, há dois anos, quando se achava deitada à noite, pajeando uma criança, entrara no quarto um primo chamado Euzébio e lhe fizera mal, sem que pudesse defender-se. De vergonha não contara a ninguém e prometera a Nossa Senhora ficar solteira.
Com essa revelação Bento ficara sem chão, ele não poderia esperar que sua amada tivesse sofrido tanto todo esse tempo. Saiu pelas ruas desnorteado e entrou no primeiro botequim que encontrara, nem mesmo esperou ser servido, foi até atrás do balcão e pegou o primeiro vidro de bebida que vira. Horas mais tarde não se aguentava em pé, mas ainda assim foi para casa e quando chegou ordenou que sua mulher dormisse no sofá, pois não suportava olhar em seus olhos.
No Dia que se seguiu estava decidido ir atrás desse primo para recuperar a honra de sua esposa, jurou matar o tal homem que tanto mal fez para Santina.
Saiu pela porta sem dar adeus a mulher empoleirada na janela, porque já não mais a conhecia, não mais suportava que fosse casado com uma mentirosa.
Seis meses depois encontrou Euzébio em uma cidadezinha do interior da Bahia, o conheceu das fotos antigas que tinha visto uma vez na casa de seu sogro, não pensou duas vezes puxou o punhal que estava em sua cintura  golpeou o pobre moço na frente de todas as pessoas sem dó nem piedade. Algumas pessoas se atreveram a chegar mais perto, mas foram intimidadas pela fúria de Bento que avisou que se alguém chegasse mais perto teria o mesmo destino que o primo maldito.

Só foi embora quando o corpo já estava sem vida. Todo ensanguentado  saiu correndo pelas ruas antes que a polícia ou alguém pudesse vir atrapalhar seus planos futuros. Mais tarde depois de tomar banho na pensão em que se hospedara, foi como se nada tivesse acontecido. No outro dia comprou uma passagem e entrou no ônibus indo encontrar sua tão amada e odiada esposa. Quando chegara a casa se surpreendeu com uma visão. Santina estava com uma barriga enorme, tinha em seu ventre o fruto de uma noite mal resolvida, de uma noite que queria muito esquecer, pois era à noite em que teve certeza de que não era o primeiro homem da vida dela. Bento sabia que o filho era seu via isso nos olhos de Santina. Ela correu ao encontro do amado com um sorriso nos lábios, mas ele estava tomado por um ódio irracional e como havia planejado, apunhalou-a várias e várias vezes na barriga até que a pobre mulher não tivesse mais forças para gritar. Quando se deu conta do que fizera suicidou-se, colocando um fim nessa história que não tinha começado tão bem.

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