RESUMO DO CAPÍTULO “ORALIDADE E LETRAMENTO”
No primeiro capítulo do texto “Da fala para a
escrita”, intitulado “Oralidade e letramento”, o autor destaca as diferenças
entre esses dois sistemas de comunicação. Se, até a década de 80, oralidade e
escrita eram tidas como antagonistas, hoje são vistas como complementares
técnicas de características próprias e usos peculiares. Algumas perspectivas
devem ser levadas em consideração na análise das relações entre elas: as
dicotomias, as variações linguísticas, culturais, etc. Enquanto a oralidade é
responsável por essas mudanças no campo social, a escrita as variações ao longo
da história. O autor ressalta que, mesmo com a enorme importância da escrita no
mundo atual, ela não é inerente ao ser humano, como a fala; é uma construção
social, uma estratégia criada para formalizar contratos, por exemplo. Enquanto
a fala é aprendida desde pequenas através do convívio social, a escrita é
aprendida mais tarde, geralmente no meio escolar. Deve-se distinguir, no
entanto, letramento, alfabetização e escolarização, a partir da forma com que o
conteúdo simbólico é apreendido pelo sujeito.
Uma vez concebidas dentro de um quadro de
inter-relações, sobreposições, gradações e mesclas, as relações entre fala e
escrita recebem um tratamento mais adequado, permitindo aos usuários da língua
maior conforto em suas atividades discursivas.
Nesta
perspectiva, torna-se impossível investigar oralidade e letramento sem
referir-se ao papel dessas duas práticas na civilização contemporânea. Da mesma
forma que já não se podem observar as semelhanças entre fala e escrita sem
considerar a distribuição de seus usos no cotidiano. Sendo assim, centrar o
tratamento das relações entre as mesmas, exclusivamente no código torna se uma
tarefa difícil, se não impossível. Como afirma Marcuschi mais do que uma simples
mudanças de perspectiva, isto representa a construção de um novo objeto de
análise e uma nova concepção de língua e de texto. A abordagem revela uma
fundamentação em disciplinas conhecidas dos estudantes de Letras, como Linguística
e Análise do Discurso com uma releitura direcionada ao estabelecimento de um
nexo de igualdade e relevância entre a oralidade e a escrita.
Uma preocupação constante do autor em sua
obra é descaracterizar a relação dicotômica, fundamentada no modelo
estruturalista, voltando-se mais para uma abordagem funcionalista. Com esta
nova visão ele situa a oralidade e a escrita num lugar de co-importância em que
uma ajuda a outra no processo de comunicação. Especialmente nas atividades de
retextualização, em que o texto concebido numa concepção discursiva oral é
adaptado, através de regras de editoração, para a concepção discursiva escrita
que, do ponto de vista ideológico, não pode ser considerado um elemento em
oposição.
Em meio a esta discussão é que Marcuschi
insere o debate sobre oralidade e letramento, dois conceitos muito confundidos
no estudo das formas verbal e escrita em que o código lingüístico pode ser
apresentado. Segundo demonstra o autor, esta confusão aumenta quando se discute
aprendizado e o uso da língua numa comunidade. Ele faz inclusive a diferença
entre o letramento apreendido formalmente na escola e outro, denominado de
“letramento social”, que corresponde ao aprendizado que resulta do convívio do
indivíduo. Para deixar isto bem claro ele define:
Letramento é um processo de aprendizagem
social e histórica da leitura e da escrita em contextos formais e para usos
utilitários, por isto é um conjunto de práticas, ou seja, letramento, como bem
disse Street (1995). Distribui-se em graus de domínio que vão de um patamar
mínimo a um máximo. A alfabetização pode dar-se como se fato se deu
historicamente, à margem da instituição escolar, mas é sempre um aprendizado
mediante ensino, e compreende o domínio ativo e sistemático das habilidades de
ler e escrever.
A escolarização, por sua vez, é uma prática
formal e institucional de ensino que visa a uma formação integral do indivíduo,
sendo que a alfabetização é apenas uma das atribuições/atividade da escola. A
escola tem projetos educacionais amplos, enquanto que a alfabetização é uma
habilidade restrita.
A
língua falada e a língua escrita têm seu estudo pormenorizado por Marcuschi em
função de duas dimensões de tratamento. Primeiro: Oralidade e Letramento;
segundo: fala e escrita. Nesta última relação é que está concentrado o maior
número de observações e formalidades dentro do processo de retextualização.
Como por exemplo, a distinção entre os sinais marcadores e delimitadores das
suas formas de expressão. “Os aspectos formais, estruturais e semiológicos são
os guias orientadores deste estudo vistos como um conjunto de práticas
sociais.”